Avaliação Sensorial de Azeite Virgem
Agricultura, Inovação e Sustentabilidade

Avaliação Sensorial de Azeite Virgem

06 mai 2025 3 min de leitura

A análise sensorial do azeite virgem é uma etapa essencial para a sua classificação comercial e qualitativa. Realizada por provadores treinados, segue metodologias estabelecidas pelo Conselho Oleícola Internacional (COI). Este processo permite detetar defeitos, identificar atributos positivos e garantir a conformidade com as categorias regulamentadas.

O principal objetivo da análise sensorial é avaliar as características organoléticas do azeite – aroma, sabor e sensações retronasais – de forma a:

  • Identificar defeitos como ranço, mofo, borra ou notas avinagradas.
  • Valorizar atributos positivos, como frutado, amargo e picante.

Procedimento normalizado de prova

1. Preparação da amostra

  • Verter 15 mL de azeite num copo de vidro azul-escuro (evita interferência visual).
  • Tapar com tampa hermética ou vidro de relógio.
  • Aquecer até cerca de 28 ° C, temperatura ideal para volatilização dos compostos aromáticos.

2. Fase olfativa

  • Agitar ligeiramente o copo, ainda tapado, para libertar os compostos voláteis.
  • Destapar e inalar profundamente, identificando aromas frutados ou defeitos.

3. Fase gustativa

  • Colocar cerca de 3 mL de azeite na boca.
  • Aspirar ar com os lábios entreabertos para espalhar o azeite pela cavidade bucal.
  • Identificar sabores como amargo, doce ou picante e as sensações retronasais.

4. Expulsão e neutralização

  • Cuspir o azeite num recipiente apropriado (não deve ser engolido).
  • Neutralizar o paladar com água ou maçã antes da próxima amostra.

5. Registo sensorial

  • Descrever e registar as sensações percebidas.
  • Utilizar fichas normalizadas, com escalas de intensidade (geralmente de 0 a 10).

Figura: Preparação da prova{.bv3-caption}

Figura: Exemplo de folha de prova{.bv3-caption}

Atributos positivos avaliados

  • ATRIBUTO: DEFINIÇÃO
  • Frutado: Aromas típicos da azeitona fresca, verde ou madura.
  • Amargo: Sensação gustativa de azeitonas verdes.
  • Picante: Pungência na garganta, associada à presença de polifenóis.

Principais defeitos a detetar

  • DEFEITO: CAUSA MAIS COMUM
  • Ranço: Oxidação por armazenamento prolongado ou má conservação.
  • Mofo-húmido: Presença de fungos devido a azeitonas húmidas.
  • Borra: Contacto com lamas de decantação.
  • Vinho-vinagre: Fermentações indesejadas (leveduras/bactérias).
  • Terroso: Contaminação com terra ou sujidade.

Classificação Comercial com base na avaliação sensorial

A classificação do azeite resulta da conjugação da análise sensorial com a análise físico-química:

  • CATEGORIA: CONDIÇÕES SENSORIAIS
  • Virgem Extra: Sem defeitos; frutado perceptível.
  • Virgem: Defeitos ligeiros admissíveis; frutado presente.
  • Lampante: Defeitos intensos; impróprio para consumo direto.

Perfis de frutado: classificação pela intensidade

Segundo o Regulamento de Execução (UE) 2015/1983, a intensidade média do frutado (MD.F) permite descrever o perfil sensorial com maior precisão:

  • Maduro – MD.F < 3

Frutado suave, típico de azeitonas maduras.

  • Verde suave – MD.F entre 3 e 6

Aromas verdes equilibrados, intensidade média.

  • Verde intenso – MD.F > 6

Perfil herbáceo e pronunciado, de elevada intensidade gustativa.

Este sistema é útil na rotulagem e na comunicação ao consumidor, permitindo destacar o estilo sensorial do azeite em termos objetivos

A análise sensorial do azeite:

  • Garante a conformidade legal e o cumprimento dos padrões de qualidade.
  • Suporta decisões técnicas em controlo de qualidade e certificação.
  • Contribui para o posicionamento competitivo no mercado nacional e internacional.
Num setor em constante exigência, dominar estas metodologias é fundamental para profissionais das áreas de tecnologia alimentar, análise laboratorial, produção e comercialização de azeite. Saiba mais sobre o tema no nosso curso de Tecnologia de Azeites e Azeitonas de Mesa, com o Professor Doutor Nuno Rodrigues, do Instituto Politécnico de Bragança.
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